O que sobrou do resto

É sempre difícil voltar.
É sempre difícil voltar depois de um tempo.
É difícil voltar seja pra casa, pras pessoas que ficaram ou pra si mesmo. Quando a gente sai de si e de tudo aquilo que sempre foi nosso, as coisas inevitavelmente mudam de lugar.

Eu sempre achei ser tão, mas tão importante se desprender em algum momento. Deixar a casa dos pais, a xícara preferida, soltar a mão da zona de conforto e ir explorar o desconhecido. Estar com o peito aberto, como uma carta inédita prestes a ser escrita e apenas viver a possibilidade de dias incríveis – e incertos. E então, depois de tudo, quando a gente volta, a gente não volta mais o mesmo. Ainda bem.
As roupas não cabem mais na pessoa nova que você se tornou. O quarto precisa de mudanças porque você não se reconhece mais naquele espaço. Tudo que ficou de repente é tão estranho e não mais pertencente à ti. As certezas de antes já não são tão certas assim… Vivências mudam a gente. Pessoas mudam a gente. Lugares, cheiros, sensações nos mudam.

Voltar, eu diria, é mais difícil que ir.

 

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Eu, sempre

Good Morning Motivation

Se me dissessem há uns dois anos atrás que hoje eu estaria realizando o meu maior sonho eu provavelmente sorriria de canto e diria que sim, não tão cedo, mas um dia.

Acontece que o dia chega pra todo mundo. Chegou o ano, o mês, a data que eu sempre esperei chegar. E tem sido incrível!
O Canadá foi a coisa inesperada mais bonita que me aconteceu. Eu me descubro, me encontro e me perco todos os dias sem medo de errar. E se der medo, vai com medo mesmo, né? Pelo menos é isso que dizem e a metáfora funciona perfeitamente bem por aqui.

Viver coisas especiais diariamente é como ler um livro preferido pela primeira vez. Tudo é contagiante, a gente não vê a hora de descobrir o que tem pela frente e eu aceito a condição de que no fim, mesmo que acabe, tudo fica marcadinho dentro da gente. O vento no cabelo, o sorriso no rosto e a grama verde de frente para o mar num dia de sol com pessoas incríveis.

Me permitir sempre foi meio esquisito. Me jogar no que quer que seja sem pensar muito também. Mas essa é a graça da coisa toda. Eu conheci pessoas que mudaram a minha vida e a maneira com que eu me sinto. Eu conheci lugares que minha memória não pode se esquecer tão cedo. Eu vivi tanto em tão pouco. O meu coração se aqueceu de uma forma que só é possível em sonhos. Então eu sonho vivendo e vivo sonhando, a partir de agora.

Hoje não mais

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Tem dias que eu não quero ser nada; só eu.

Eu não quero ser a estudante, eu não quero ser a estagiária, eu não quero ser a irmã, filha, namorada, jornalista. Embora eu goste, hoje eu não quero. Tem horas que o mundo é demais, a gente não sabe pra onde vai, o que faz ou o que vai fazer. Eu só queria não ser.

Eu queria escrever, esse era o norte que guiava minha vida. Eu queria mais, ser mais, escrever mais, ser mais dona do meu nariz; me perdi no caminho. Acontece.
Hoje não escrevo e não sou nada além de mim. Fico com os olhos marejados pois as vezes pesa. Tá tudo bem não ser. Mas tem horas que dói.

Hoje eu não queria ser nada; só eu.

Olhos de amor

Então eu vi o vídeo da Ana e me senti (muito) aquecida por dentro.

Sabe quando a gente às vezes vê a vida um pouco embaçada? Confesso que isso tem ocorrido com uma certa frequência por aqui. Eu não ouso dizer sobre o que é o vídeo da Ana, mas eu ouso dizer sobre o que ele é para mim: é sobre a vida, sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre nós mesmos.

Ana falou comigo e me fez rir, me fez chorar. Me fez sentir e pensar que a vida é linda sim – principalmente quando nos permitimos sentir gratidão. Me fez ter a certeza que o meu coração fala comigo e que ele sempre tem razão. O mapa para os nossos caminhos e as respostas que procuramos já estão aqui, dentro de nós. Nos basta saber escutar.

Obrigado por me ensinar, Ana. A partir de agora, eu olho a vida com olhos de amor!

Quando a gente faz o que ama

Não existe sensação mais plena e gostosa do que aquela que deixa o nosso coração bem aquecido. Ontem eu conversei com uma amiga sobre como é bom fazer aquilo que a gente gosta. E eu pude perceber que fazer o que eu amo aquece o meu coração.

É tão bonito quando a gente se doa, até se esgota, para realizar aquilo que tem vontade. E que isso é só o começo. Pode ser um trabalho árduo, mas se for verdadeiro, vai valer muito a pena! A gente tem o poder de fazer escolhas – claro que nem sempre tão livres, pois existem circunstâncias que nos limitam, mas temos. E quando a gente escolhe aplicar o que já está dentro de nós para o mundo… Essa é a melhor escolha que poderíamos ter feito!

O meu coração transborda amor quando eu vejo alguém comentando por aqui, então eu quero dizer que sou grata se você vem aqui para me ler e comentar. Obrigado! O BEDA tem sido uma experiência incrível, com pessoas incríveis. No final de tudo, eu me sinto assim:

#BEDAseis

De mãos dadas

Uma vez, durante a aula de História do Cinema eu lembrei de um dia que me marcou. Sabe quando do nada a gente tem aquelas lembranças que nos tiram do plano por alguns instantes? Tudo voltou pra mim: a sensação de querer sumir por ter sido um fracasso, o toque dele no meu cabelo e o som das buzinas e dos carros tomando conta dos nossos ouvidos.

Era um dia quente, eu me lembro. Tão quente quanto quando dois corpos entram em contato pela primeira vez. A gente foi para um lugar calmo, onde não tinham mais pessoas ou barulho e foi lá onde nos encontramos um no outro. Me lembro de chorar todas as angústias do mundo imersa em seus braços, enquanto isso, ele me olhava e sorria de canto por saber que no fim tudo ficaria bem. No segundo seguinte eu já não sabia se ficava em paz por tê-lo ali comigo, ou se chorava mais por não querer que ele me deixasse nunca.

Depois de toda a confusão, a gente se apaixonou de novo. A gente tava feliz. Eu passei a mão suave em seu rosto com os olhos fechados, como um carinho, e ele sorriu escancaradamente, porque adora quando eu faço isso.

#BEDAcinco

Considerações tolas sobre a vida

Ou: sobre como eu me senti depois de assistir stuck in love.

Fazia frio ontem e eu estava em baixo das cobertas quando abri a Netflix para procurar alguma coisa que me tirasse do tédio. Achei um filme que parecia interessante e dei play. O filme era sobre uma família numa fase um tanto quanto perdida e, no geral, o filme era sobre a vida, sobre amores e principalmente sobre gente que escreve. Mas eu não quero falar do filme, eu quero falar sobre o que ele me causou.

Stuck in love foi o tipo de coisa que falou comigo. Que me pegou de surpresa e me chacoalhou de cabeça para baixo.
A vida nem sempre se mostra maravilhosa, é verdade. Pai, mãe e irmãos nem sempre são a versão que queremos que fossem, é verdade. E as vezes cometemos erros com quem amamos, também é verdade. Mas penso que tudo isso vale a pena se ainda houver amor.

Faz um tempo que eu parei de escrever com frequência, alguma coisa em mim tinha bloqueado e eu já sentia que precisava desbloquear. Acontece que vez em quando nem a gente sabe o que se passa com a gente mesmo. Nesse tempo, eu descobri que não tem problema se você quiser voltar para quem você ama mesmo depois de ter ido embora. Não tem problema perdoar a si e nem os que estão a sua volta, mas principalmente, eu aprendi que não tem problema tentar de novo. Quantas vezes forem necessárias. Contudo, digo novamente: as coisas só valem o esforço se houver amor.

Há uma citação no filme que faz referência ao processo de escrita, de vida e creio eu, de transição.
Esse filme falou comigo porque me mudou. Sinto que voltei de um transe que eu estava há algum tempo, entende? As coisas ficaram claras e isso tudo me deu coragem para enfrentar as coisas velhas e também as novas. Me deu coragem de ir, viver e escrever histórias. Uma pessoa que escreve nada mais é que a soma de suas experiências, como diria Bill Borgens. Então, tá. Eu tô vivendo.

I could hear my heart beating.
I could hear everyone’s heart.
I could hear the human noise we sat there making, not one of us moving, not even when the room went dark.

#BEDAum