Hoje não mais

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Tem dias que eu não quero ser nada; só eu.

Eu não quero ser a estudante, eu não quero ser a estagiária, eu não quero ser a irmã, filha, namorada, jornalista. Embora eu goste, hoje eu não quero. Tem horas que o mundo é demais, a gente não sabe pra onde vai, o que faz ou o que vai fazer. Eu só queria não ser.

Eu queria escrever, esse era o norte que guiava minha vida. Eu queria mais, ser mais, escrever mais, ser mais dona do meu nariz; me perdi no caminho. Acontece.
Hoje não escrevo e não sou nada além de mim. Fico com os olhos marejados pois as vezes pesa. Tá tudo bem não ser. Mas tem horas que dói.

Hoje eu não queria ser nada; só eu.

Olhos de amor

Então eu vi o vídeo da Ana e me senti (muito) aquecida por dentro.

Sabe quando a gente às vezes vê a vida um pouco embaçada? Confesso que isso tem ocorrido com uma certa frequência por aqui. Eu não ouso dizer sobre o que é o vídeo da Ana, mas eu ouso dizer sobre o que ele é para mim: é sobre a vida, sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre nós mesmos.

Ana falou comigo e me fez rir, me fez chorar. Me fez sentir e pensar que a vida é linda sim – principalmente quando nos permitimos sentir gratidão. Me fez ter a certeza que o meu coração fala comigo e que ele sempre tem razão. O mapa para os nossos caminhos e as respostas que procuramos já estão aqui, dentro de nós. Nos basta saber escutar.

Obrigado por me ensinar, Ana. A partir de agora, eu olho a vida com olhos de amor!

Quando a gente faz o que ama

Não existe sensação mais plena e gostosa do que aquela que deixa o nosso coração bem aquecido. Ontem eu conversei com uma amiga sobre como é bom fazer aquilo que a gente gosta. E eu pude perceber que fazer o que eu amo aquece o meu coração.

É tão bonito quando a gente se doa, até se esgota, para realizar aquilo que tem vontade. E que isso é só o começo. Pode ser um trabalho árduo, mas se for verdadeiro, vai valer muito a pena! A gente tem o poder de fazer escolhas – claro que nem sempre tão livres, pois existem circunstâncias que nos limitam, mas temos. E quando a gente escolhe aplicar o que já está dentro de nós para o mundo… Essa é a melhor escolha que poderíamos ter feito!

O meu coração transborda amor quando eu vejo alguém comentando por aqui, então eu quero dizer que sou grata se você vem aqui para me ler e comentar. Obrigado! O BEDA tem sido uma experiência incrível, com pessoas incríveis. No final de tudo, eu me sinto assim:

#BEDAseis

De mãos dadas

Uma vez, durante a aula de História do Cinema eu lembrei de um dia que me marcou. Sabe quando do nada a gente tem aquelas lembranças que nos tiram do plano por alguns instantes? Tudo voltou pra mim: a sensação de querer sumir por ter sido um fracasso, o toque dele no meu cabelo e o som das buzinas e dos carros tomando conta dos nossos ouvidos.

Era um dia quente, eu me lembro. Tão quente quanto quando dois corpos entram em contato pela primeira vez. A gente foi para um lugar calmo, onde não tinham mais pessoas ou barulho e foi lá onde nos encontramos um no outro. Me lembro de chorar todas as angústias do mundo imersa em seus braços, enquanto isso, ele me olhava e sorria de canto por saber que no fim tudo ficaria bem. No segundo seguinte eu já não sabia se ficava em paz por tê-lo ali comigo, ou se chorava mais por não querer que ele me deixasse nunca.

Depois de toda a confusão, a gente se apaixonou de novo. A gente tava feliz. Eu passei a mão suave em seu rosto com os olhos fechados, como um carinho, e ele sorriu escancaradamente, porque adora quando eu faço isso.

#BEDAcinco

Considerações tolas sobre a vida

Ou: sobre como eu me senti depois de assistir stuck in love.

Fazia frio ontem e eu estava em baixo das cobertas quando abri a Netflix para procurar alguma coisa que me tirasse do tédio. Achei um filme que parecia interessante e dei play. O filme era sobre uma família numa fase um tanto quanto perdida e, no geral, o filme era sobre a vida, sobre amores e principalmente sobre gente que escreve. Mas eu não quero falar do filme, eu quero falar sobre o que ele me causou.

Stuck in love foi o tipo de coisa que falou comigo. Que me pegou de surpresa e me chacoalhou de cabeça para baixo.
A vida nem sempre se mostra maravilhosa, é verdade. Pai, mãe e irmãos nem sempre são a versão que queremos que fossem, é verdade. E as vezes cometemos erros com quem amamos, também é verdade. Mas penso que tudo isso vale a pena se ainda houver amor.

Faz um tempo que eu parei de escrever com frequência, alguma coisa em mim tinha bloqueado e eu já sentia que precisava desbloquear. Acontece que vez em quando nem a gente sabe o que se passa com a gente mesmo. Nesse tempo, eu descobri que não tem problema se você quiser voltar para quem você ama mesmo depois de ter ido embora. Não tem problema perdoar a si e nem os que estão a sua volta, mas principalmente, eu aprendi que não tem problema tentar de novo. Quantas vezes forem necessárias. Contudo, digo novamente: as coisas só valem o esforço se houver amor.

Há uma citação no filme que faz referência ao processo de escrita, de vida e creio eu, de transição.
Esse filme falou comigo porque me mudou. Sinto que voltei de um transe que eu estava há algum tempo, entende? As coisas ficaram claras e isso tudo me deu coragem para enfrentar as coisas velhas e também as novas. Me deu coragem de ir, viver e escrever histórias. Uma pessoa que escreve nada mais é que a soma de suas experiências, como diria Bill Borgens. Então, tá. Eu tô vivendo.

I could hear my heart beating.
I could hear everyone’s heart.
I could hear the human noise we sat there making, not one of us moving, not even when the room went dark.

#BEDAum 

Então eu li Hibisco Roxo

É com um misto enorme de sensações e sentimentos que começo a escrever esse post. Eu posterguei um mês, mais ou menos, até de fato pegar firme na leitura de Hibisco Roxo. Há uma semana esse livro me pegou de jeito pela narrativa, pelas palavras e pela história fascinante; não consegui largar.

Uma breve sinopse:

Protagonista e narradora de Hibisco Roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente branca e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanha que ele rejeita o pai e a irmã. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili e Jaja, seu irmão, passam por uma profunda transformação que mudará suas vidas para sempre.

Sinopse retirada – e alterada – do Skoob.

Hibisco Roxo é um livro duro, daqueles que te cativam e castigam ao mesmo tempo. E acho que é assim porque ele poderia ser real. A história de Kambili, dos efeitos da colonização branca sob a África (que é muito mais profunda que se possa imaginar), do patriarcado enraizado na sociedade e da situação político-social da Nigéria é real. E isso me dói.

Esse livro me marcou muito. Chimamanda Ngozi Adchie faz um trabalho lindo e puro com as palavras, o que me faz querer saborear cada coisa escrita. A linguagem e a narrativa são incríveis!
Lembro de uma parte, onde Kambili diz que não vai esquentar a água da chuva para tomar banho pois não quer perder o cheiro de céu que a água tem.  Ou então, de como ela nos apresenta padre Amadi e a sua voz que parece música…

Sabe, eu me pego pensando em Jaja, Kambili e Tia Ifeoma vez em quando. Queria abraçar Kambili e dizer que está tudo bem, que ela pode sorrir e pode amar. Que Jaja não precisa se culpar e tia Ifeoma não tem que partir. Acho que Hibisco Roxo é intenso, de uma avassaladora força que te puxa e sacode. Mas também é de uma delicadeza que sabe afagar o coração.

Chimamanda é fácil uma das minhas novas escritoras preferidas. Tenho vontade de ler tudo que ela já escreveu na vida, até a lista de supermercado dela me parece interessante.
Hibisco Roxo me ensinou muito, me mostrou muito e me tocou mais ainda. É daquelas histórias que ficam pra sempre com a gente.

Chimamanda, vamos ser amigas?

Eu sinto muito

Eu sempre senti muito. Desde quando eu era pequenininha e chorava por um A que falavam para mim, eu estava sentindo. E eu sempre fui zoada por sentir. Daí eu sentia ainda mais. Percebe o drama?

Uma coisa que eu sei agora é que tá tudo bem. Decidi escrever sobre isso porque a minha vida tem se tornado um chororô sem fim. Estou naquela famigerada fase que: I need a job. Eu tenho me cobrado muito, mas em contrapartida eu não faço nada para mudar o meu estado. É como se eu vivesse no limbo da preguiça, me lamentasse por isso e não fizesse nada para sair de lá. Assim tem sido os meus dias.

Semana passada, eu peguei o metrô de manhã indo pra faculdade e não consegui sentar porque estava cheio, realmente muito cheio. Enquanto eu estava lá, ás 7:10 da manhã, em pé, olhando a cara de mais de dez pessoas que também estavam sofrendo em pé, as 7 horas da manhã, eu senti muito. E não no sentido de “me desculpe, sinto muito”, eu realmente senti. No sentido de se doer pelo outro porque você se reconhece na dor dele.

Hoje eu recebi a Newsletter da Anna e o tema era mais ou menos o mesmo, até desabafei com ela sobre esses causos da vida. O que me levou a vir escrever aqui…

Eu tive aula de Ética também na semana passada e descobri que transcender é um troço doído demais. Ao meu ver, é o ápice do sentir. Quando você questiona, se dói, entra em conflito e se permite pensar. A transcendência é a essência do ser humano que deseja evoluir. Existir só é possível se você transcende. E sente. Acho que em determinados momentos da vida eu transcendi sem saber.

Esse texto não tem final ou propósito. Ele só existe porque eu queria dizer algumas coisas que estavam aqui no peito guardadas. Preciso ter mais responsabilidade, saber lidar com os tombos da vida e recomeçar toda manhã. Como dizia a News da Anna: eat the pain. Send it back into the void as love. É todo um processo, and I am still growing.

Sinto muito.