Eu sinto muito

Eu sempre senti muito. Desde quando eu era pequenininha e chorava por um A que falavam para mim, eu estava sentindo. E eu sempre fui zoada por sentir. Daí eu sentia ainda mais. Percebe o drama?

Uma coisa que eu sei agora é que tá tudo bem. Decidi escrever sobre isso porque a minha vida tem se tornado um chororô sem fim. Estou naquela famigerada fase que: I need a job. Eu tenho me cobrado muito, mas em contrapartida eu não faço nada para mudar o meu estado. É como se eu vivesse no limbo da preguiça, me lamentasse por isso e não fizesse nada para sair de lá. Assim tem sido os meus dias.

Semana passada, eu peguei o metrô de manhã indo pra faculdade e não consegui sentar porque estava cheio, realmente muito cheio. Enquanto eu estava lá, ás 7:10 da manhã, em pé, olhando a cara de mais de dez pessoas que também estavam sofrendo em pé, as 7 horas da manhã, eu senti muito. E não no sentido de “me desculpe, sinto muito”, eu realmente senti. No sentido de se doer pelo outro porque você se reconhece na dor dele.

Hoje eu recebi a Newsletter da Anna e o tema era mais ou menos o mesmo, até desabafei com ela sobre esses causos da vida. O que me levou a vir escrever aqui…

Eu tive aula de Ética também na semana passada e descobri que transcender é um troço doído demais. Ao meu ver, é o ápice do sentir. Quando você questiona, se dói, entra em conflito e se permite pensar. A transcendência é a essência do ser humano que deseja evoluir. Existir só é possível se você transcende. E sente. Acho que em determinados momentos da vida eu transcendi sem saber.

Esse texto não tem final ou propósito. Ele só existe porque eu queria dizer algumas coisas que estavam aqui no peito guardadas. Preciso ter mais responsabilidade, saber lidar com os tombos da vida e recomeçar toda manhã. Como dizia a News da Anna: eat the pain. Send it back into the void as love. É todo um processo, and I am still growing.

Sinto muito.

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2 pensamentos sobre “Eu sinto muito

  1. Debora, quando comecei a ler seu texto, a primeira coisa que me veio à cabeça foi essa coisa de transcender — de como isso dói, como é difícil, mas como é necessário também. É um processo, na realidade: você começa a se questionar, pensa, entra em conflito, pensa mais um pouco, sofre. Porque dói, dói demais — mas só assim a gente consegue ir além. Não imagino que alguém “chegue lá”, aliás, se, pra começo de conversa, não consegue sentir muito.
    Mas você meio que já disse tudo isso, então o que eu vou te dizer mesmo é o seguinte: você não tá sozinha. A vida não é fácil nem nada, mas acho que fica um pouquinho melhor quando a gente pensa que não tá por aí sentindo muito sozinha. Sinta meu abraço de pessoa que sente muito aí, do outro lado.
    E leia Amanda Palmer. Essa citação que a Anna usou na news dela vem do livro A Arte de Pedir, da Amanda, e foi tipo uma das coisas mais preciosas que eu li esse ano. Se você já leu, sabe que o que eu tô falando é MUITO real. Senão, sério mesmo, leia. Como eu disse, é precioso.

    beijo ❤

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