Meu feminismo recém-descoberto

Feminist: a person who believes in the social political and economic equality of sexes.

Há alguns (bons) meses eu e a minha melhor amiga descobrimos uma coisa que mudou a nossa forma de ver o mundo: o feminismo. Há muito a dizer sobre!

Durante esse tempo, que passei por uma significativa transformação, pude perceber um mundo de coisas novas. Um mundo de coisas absurdas que acontecem todos os dias e um mundo de coisas que eu tento, diariamente, me re-educar a não pensar do jeito que foi ensinado. Eu matutei muito se tenho propriedade o suficiente para escrever sobre o feminismo e a resposta é: não sei. Por outro lado, penso que toda mulher tem sim, propriedade o suficiente para falar sobre, afinal, quem além dela sente na pele as dores e as angústias de simplesmente ser mulher em uma sociedade que é moldada pelo machismo?

Pesquisei, li, fui atrás, conheci mulheres, ONGs, causas e campanhas incríveis em prol do feminismo. Li relatos que me fizeram chorar de dor e me fizeram querer lutar por um mundo melhor. A injustiça existe e ela acontece num loop sem fim. Primeiro de tudo: se você não sabe nada sobre o movimento, assim como eu não sabia, e está interessado em saber, deve entender que uma pessoa feminista nada mais é que alguém que acredita – e luta – pela igualdade social, política e econômica entres os sexos. Feminismo é sobre igualdade, liberdade e respeito. É isso, entendeu? Ninguém quer exterminar os homens, não vai doer apoiar as feministas e também não vai fazer mal reconhecer que o mimimi delas não é mimimi. O barulho é necessário e, confia em mim, você precisa dele tanto quanto eu. É preciso quebrar conceitos que sempre lhe foram ditos para entender. Se é fácil? Não, não é. Não mesmo. Mas basta querer.

Antes eu, no auge da minha ignorância, cheguei a ter e executar pensamentos e comportamentos machistas. Julguei, oprimi, culpei e calei. Qual tamanha foi a minha surpresa ao descobrir que a culpa não é da mulher que está sendo assediada. A culpa não é da roupa que ela usa e muito menos do formato que o corpo dela tem. A culpa é do outro que não a respeita! Eu passei a entender o feminismo quando andava na rua de shorts e não me sentia confortável com olhares que me engoliam, com comentários mal intencionados – que NÃO SÃO elogios! Quando andando sozinha por uma rua, tive que acelerar o passo, pois estando sozinha não tinha como me defender (?!), e haviam homens do outro lado da rua gritando para mim. Dá nojo, dá medo, é perverso.

Eu passei a entender que preciso do feminismo quando vi outra mulher sendo taxada de puta, vagabunda, biscate, porque ficou com um número x de caras numa festa – se fosse o homem estaria tudo certo, né? – Quando outra mulher foi abusada sexualmente e tudo que eu ouvia dos outros era “também, olha a roupa, tava pedindo!” – não, ela NÃO tava pedindo! – E então todos esses comportamentos dos outros parecem um tremendo absurdo para mim. Eu não aceito, não entra na minha cabeça.

Quando alguém diz “feminismo pra quem?”, a resposta está em cada situação constrangedora que as mulheres passam. Feminismo pra mim, pra todas nós!

Amiga, aprende que sim, você e somente VOCÊ tem direito sobre o seu corpo. Você e somente você, deve decidir o que faz dele. Somente nós, mulheres, devemos decidir a forma que queremos nos vestir hoje. Passar maquiagem ou não. Se depilar ou não hoje. Casar ou não, ter filhos ou não. Namorar homem, mulher, beijar quantas pessoas quiser, e olha aqui que coisa maravilhosa: ninguém, absolutamente NINGUÉM, tem nada a ver com isso! Nenhum homem, pai, mãe, tia, tio, irmão, irmã, namorado ou namorada tem o direito de te calar, oprimir e julgar.

32 Things You Realise When You Become A Feminist

Esses dias, assistindo um programa de TV durante a manhã, havia um escritor que gosto muito participando, Fabrício Carpinejar. Neste programa, eles estavam discutindo sobre uma campanha que um grupo de garotas criou no metrô de São Paulo. A campanha se chama “Você não está sozinha”, que consiste em apoiar mulheres a denunciar abusos sexuais ou assédios sofridos durante o uso do transporte público. Quem anda de transporte público sabe como é difícil e como dá medo… Pois bem, dois cantores sertanejos, que também estavam no programa, disseram que as mulheres precisam aprender a dizer não. A falar e falar mais alto… Quando Carpinejar interrompe os moços e diz: a mulher fala, quem precisa aprender a ouvir é o homem! Não é não! 

Por mais Carpinejar’s no mundo.

Depois do feminismo eu não sou mais a mesma. Meus conceitos mudaram, meus pensamentos sobre mim e sobre o próximo mudaram. É confuso, porque da mesma forma que o mundo fica mais pesado, devido ao tanto de absurdos, ele também fica mais leve. Descobri que é simples, é muito simples respeitar os outros e as suas escolhas. Eu só queria que para as outras pessoas fosse simples também… Infelizmente não é, e por isso a luta é longa e cada vez maior. Mas não tem problema, mulher empoderada e unida sabe muito bem o quer e nada fará com que ela desista. Os protestos, os barulhos e os mimimi’s são só o começo. O que a gente quer mesmo tá longe de ser conquistado. E é por isso que a luta é eterna. Join Us!

Para saber mais sobre:

FAQ Feminista

Think Olga

Escreva Lola Escreva

Não Me Kahlo

Precisamos falar sobre o feminismo

As mulheres da minha vida

Como silenciamos o estupro – Super Interessante

Boitempo – Feminismo e política

Carol Rossetti

Revista Capitolina

Carta Capital – Escritório Feminista

Aline Valek

Coisas que você percebe quando se torna feminista

Blog da Anna

Assédio nosso de cada dia

Jout Jout

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2 pensamentos sobre “Meu feminismo recém-descoberto

  1. eu fiquei toda orgulhosa lendo teu texto. primeiro porque tá super bem escrito e não é todo mundo que tem blog que sabe como se expressar escrevendo… e o óbvio: mais uma teve uma revolução interna! li o texto e habilitei a máquina do tempo: fui transportada para minha adolescência, na qual eu tinha raiva de mim por ser tão magra e asco e medo de caminhar na rua, mas ao mesmo tempo eu achava que a culpa de tudo era minha… e logo depois de questionar tudo isso, descobri que não estava sozinha. olha, alguém que você poderia incluir nessa lista é a incrível LOLA, do blog escreva Lola escreva. Ela me ajudou muito no início do meu feminismo e ajuda até hoje. vale a pena conhecer 😉

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