A fragilidade dos laços humanos

As relações na sociedade contemporânea são marcadas pela fragilidade do tempo. Não importa se é uma relação amorosa ou não, esta relação está sujeita a acabar à qualquer momento. Observe em qualquer lugar: as pessoas tem pressa. Seja na estação do metrô, no supermercado, andando nas ruas ou saindo de casa. Elas tem pressa para chegar em algum lugar, para fazer algo… Há quem diga que esse é o mal do século, outros diriam que é bobagem. Será que o amor está presente na pressa dessas pessoas?

Sabe-se que desde os tempos antigos até os dias de hoje o jeito de se relacionar com o próximo mudou, e vai continuar mudando. O conceito de amar está em constante mudança. A sociologia, a psicologia e a filosofia tem maneiras e posicionamentos no mínimo curiosos sobre o amor. Para Gilles Deleuze, por exemplo, um filósofo francês, “o verdadeiro charme das pessoas reside em quando elas perdem as estribeiras, quando não sabem muito bem em que ponto estão”. Ele ainda afirma com encanto, “o ponto de demência de alguém é a fonte de seu charme”. Para o psicólogo norte-americano, Robert Stenberg, o amor se define em três componentes: intimidade, paixão e compromisso. Já para o sociólogo polonês Zygmunt Baumam, vivemos em uma modernidade líquida, logo o amor se torna líquido. É frágil demais para poder durar.

Em um mundo onde todos correm para alguma coisa que não sabem muito bem o que é, há poucos que ficam e sabem o que fazer. Nessa busca incessante pelo “amor ideal” somente a minoria lembra que ele, nem sempre, virá num cavalo branco e ficará para sempre. Nos últimos anos, segundo uma pesquisa realizada em 2012 pelo IBGE, o número de casamentos no Brasil aumentou, porém a durabilidade deles diminuiu.

A gestora de hospital, Roselene de Fátima, de 43 anos, se casou duas vezes. O primeiro casamento durou 6 anos e ela diz saber apenas hoje que nem tudo é o que parece. Hoje ela sabe: amor é diferente de paixão. Na época em que noivou pela primeira vez, pensou estar amando, mas só descobriu o que era o amor verdadeiro anos mais tarde, quando conheceu seu segundo marido, juntos há 12 anos.

“O amor é um conjunto de coisas, ele tem que ser construído diariamente através do companheirismo, da cumplicidade, do cuidado e da generosidade”, diz Rose. Ela, que também é mãe, não nega e muito menos esconde o tamanho do amor pela filha. Qualquer um pode perceber, através das atitudes, o quanto ama e é capaz de fazer tudo que for possível para ver um sorriso no rosto de sua menina. “Muitas pessoas pensam que amor é só de homem e mulher, mas o amor é uma infinidade de coisas. Por exemplo o amor materno, que é puro e genuíno. O amor pela vida, pela família e até mesmo pelos animais”, afirma.

“O que eu senti pelo pai da minha filha nunca foi amor, sempre foi paixão. A paixão é aquela coisa momentânea, é muito intensa e te consome. Já o amor é sereno, te traz paz”, ela diz com toda doçura e certeza do mundo.

Rosária, de 66 anos, proprietária de um restaurante em São Paulo, não hesita ao dizer que o amor de uma mãe por um filho é tudo. No dia a dia, segundo Rosária, falta muito amor nas pessoas. Falta caridade e, principalmente, falta paciência com o próximo.

Embora não esteja mais casada com o pai de seu filho, ela diz que o amor, por mais que acabe, porque ele é finito, sempre vai existir para podermos recomeçar.

Amor juvenil

Marina Bueno namora Vitor Belloni e estudam na mesma faculdade, não se desgrudam, estão sempre juntos. Ele estuda análise e desenvolvimento de sistemas, já ela estuda estética e cosmética. Apesar das diferenças, eles se definem como um casal que completam um ao outro.

Aos 18 anos ambos já tem uma ideia fixa sobre o que é o amor. Trocam olhares apaixonados e dizem que, curiosamente, um dia antes de me concederem a entrevista discutiam sobre o assunto. “Estávamos falando disso ontem e um ponto que eu achei crucial sobre o amor nos dias atuais é que fazemos uma miscelânea de culturas, tribos e povos e então definimos como sendo o amor. Pra mim o amor é se entregar por inteiro”, diz Vitor. A companheira complementa: “se juntarmos todas essas coisas que são definidas como amor, vamos ter outra definição. A minha é você se entregar porque está com vontade de fazer aquilo, sem ideal nenhum por trás. Fazer pelo seu bem e pelo bem da pessoa, mais nada”. Segundo o casal, você precisa gostar daquilo que faz para que isso, um dia, vire amor.

Enquanto contam sua história, ao redor muitas pessoas vão e vem, quando olham no relógio descobrem que já é a hora irem também.

“Foi quase! Eu quase descobri, mas eu desisti antes”, é o que Juliani Nogueira diz sobre o amor. Ela tem 17 anos e estuda medicina veterinária na Anhembi Morumbi. Nunca namorou e não sabe ao certo o que é amar, mas jura que pode sentir o amor muitas vezes… Seja no abraço, no sorriso ou no olhar da pessoa que gosta.

“Teve um cara que passou pela minha vida e me fez acreditar que nada acontece por acaso, não passamos por nada em vão. E eu sei que isso que tivemos foi o mais perto que eu tive, e que eu cheguei, de algo verdadeiro. Por isso eu levo esse ‘mais perto’ sempre comigo, porque por mais que ele tenha sido um idiota, ele me fez crescer e me ajudou a ser quem eu sou hoje”.

Ela está vivendo uma fase muito feliz e quer aproveitar ao máximo para, quem sabe, um dia, descobrir de verdade o que é esse amor. “Hoje eu carrego muito desse rapaz comigo, e eu sou imensamente grata por tudo que passamos juntos, mas as coisas mudaram e seguimos caminhos diferentes. Só sei que eu sentia, e ainda sinto, o amor próximo a mim em vários momentos”, relata Juliani com o sorriso no rosto.

O amor move montanhas

Paula tem 20 anos, possui o cabelo curto e é moça de sorriso fácil, assim se define. Ela estuda psicologia e não quis contar sua história com o amor, mas o sintetizou em apenas um palavra: compreensão.

Sua amiga, Jô, de 19 anos disse que o amor transforma. Ela também estuda psicologia e fala sobre o amor livre. “O amor livre é você poder amar quem você quiser e quando quiser, sem preconceitos”. Para Jô, o amor é uma junção de todos os sentimentos bons.

Sarah contou sua história: tem 32 anos e é artesã. Seu carro é sua casa e as pessoas para quem ela vende sua arte são seus amigos. Ela fugiu de casa com 16 anos e foi morar em Florianópolis porque, segundo ela, aquela Sarah era uma pessoa muito má e fazia coisas ruins. Ela tentava se libertar disso, mas diz que não conseguia porque nunca tinha conhecido o amor de verdade, em essência. Então quando ficou sozinha no mundo tentou arrumar um emprego e ajeitar a vida, ela jura que tentou. Porém nunca conseguiu ficar dois dias no mesmo trabalho, não suportava a ideia de trabalhar para alguém.

Ela pegou suas coisas e foi viajar Brasil à fora. Descobriu a diversidade do norte, as praias do nordeste, a comida do centro-oeste, o frio do sul e a agitação do sudeste, que é onde reside hoje. Pelo caminho encontrou pessoas boas e que sempre lhe ajudaram quando necessário. Sarah alugou uma loja no centro de São Paulo, mas não deu certo. Decidiu voltar para a rua e semear o amor, como ela mesmo define o seu trabalho.

“A ideia de vender arte e de estar na rua com as pessoas é isso, é conseguir transmitir o amor, que é exatamente o que falta nas pessoas. É o que eu tento semear diariamente dentro deles, porque o amor está dentro da gente, só que as pessoas não conseguem enxergar. Não conseguem se perdoar e nem perdoar o outro, então elas ficam distantes do amor. É isso que eu faço, na verdade, além da arte, eu semeio o amor dentro das pessoas, o próprio que já está lá dentro, eu só o liberto, porque é a parte mais linda”, conta emocionada.

Durante todo o tempo que ficou viajando para se descobrir, Sarah diz que sempre buscou conhecimento nos livros para tentar ser alguém melhor. “Eu ainda não tinha descoberto como fazer o bem faz bem, então eu lia muito sobre tudo. Lia sobre espiritismo, lia sobre cada coisa, foi ai que eu encontrei a bíblia. A história de Jesus é maravilhosa, é onde a gente descobre o amor incondicional, e foi ele que me ensinou a amar”, diz ela com os olhos cheios de lágrimas e com a certeza de que é alguém hoje, que já não foi no passado.

Esta é uma reportagem que produzi no 1° semestre de jornalismo.

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